O presidente norte-americano anunciou esta quarta-feira, 2 de abril, a entrada em vigor imediata do que apelidou de “tarifas recíprocas” globais, “com desconto”, visando sobretudo a União Europeia. Um anúncio a que a presidente da Comissão Europeia respondeu, equacionando a adoção de contramedidas.

Justificando esta decisão, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos foram “pilhados e violados” pelos parceiros comerciais. E acusou a Europa de penalizar os produtos norte-americanos em 39%, anunciando que, em consequência, a taxa aduaneira a aplicar aos produtos europeus será de 20%. As importações suíças serão taxadas a 31% e as do Liechtenstein a 37%.

Reagindo, Ursula Von der Leyen considerou que se trata de um duro golpe para a economia mundial, com consequências “terríveis” para milhões de pessoas, em particular as mais vulneráveis. Isto porque os bens alimentares, os transportes e os medicamentos vão encarecer.

Segundo a presidente da Comissão, a União Europeia está pronta para negociar com os Estados Unidos, mas igualmente preparada para adotar contramedidas.

Também a França já reagiu, com a porta-voz do governo, Sophie Primas, a afirmar que a Europa está “pronta para uma guerra comercial” com os Estados Unidos, o que poderá envolver a taxação dos serviços, nomeadamente dos digitais.

Por sua vez, o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, considerou crucial que a União Europeia tenha uma resposta unificada às tarifas comerciais norte-americanas.

Já o ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, declarou que o governo está pronto para tomar medidas para proteger as empresas e consumidores do país dos efeitos das novas tarifas, que classificou de “injustas e injustificadas”.

Também a Dinamarca criticou as novas tarifas, sustentando, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, que a Europa deve permanecer unida e preparar respostas “sólidas” e proporcionais.

Uma resposta “proporcionada” da Europa foi o que defendeu o primeiro-ministro irlandês, Michael Martin.

Considerado a medida de Trump errada, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que pretende chegar a um acordo com os Estados Unidos, a fim de se evitar uma guerra comercial.